O INSS ainda não publicou edital para 2026. Tudo o que está aqui descreve o último concurso realizado e o padrão histórico da banca. Número de vagas, disciplinas exatas e pesos só ficam definidos quando o edital sai — confira o documento oficial antes de montar seu plano de estudo.
Certo ou errado, sem meio-termo
O concurso do INSS é historicamente organizado pelo Cebraspe, e a marca da banca é o item de julgamento: uma afirmação por vez, para marcar certo ou errado. Não existe a comparação entre cinco alternativas que permite eliminar as absurdas e apostar no que sobrou.
Isso muda a forma de estudar, e não é detalhe. Numa prova de múltipla escolha, saber mais ou menos o assunto costuma bastar para reconhecer a alternativa certa. Num item Certo/Errado, uma palavra trocada no meio de uma frase verdadeira torna o item inteiro errado — e você não tem com o que comparar para perceber a troca.
Estudar o texto da lei, e não o resumo do resumo. "Direito de todos e dever do Estado" é a redação exata: trocar "dever do Estado" por "dever da União" já derruba o item. Ler o artigo original uma vez vale mais do que reler três vezes uma paráfrase.
Como a prova se divide
Na última prova de Técnico do Seguro Social foram 120 itens, separados em dois blocos:
| Bloco | Itens | O que entra |
|---|---|---|
| Conhecimentos básicos | 50 | Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico-Matemático, Informática, Ética e noções gerais |
| Conhecimentos específicos | 70 | Seguridade Social, Direito Previdenciário, Constitucional e Administrativo |
A proporção é o recado: o bloco específico pesa mais, e é nele que a banca cobra número, prazo e classificação. Quem chega bem em Português e trava em Previdenciário perde a prova no bloco maior.
As duas disciplinas que decidem a aprovação
Seguridade Social e Direito Previdenciário concentram mais da metade dos itens. Ainda assim, o erro mais comum de quem começa é dividir o tempo de estudo em partes iguais entre todas as disciplinas — o que dá a Informática o mesmo peso que às regras de aposentadoria.
Distribuir o estudo pelo peso real de cada bloco não é atalho: é ler a prova antes de fazê-la. Uma hora a mais em benefícios rende mais pontos do que a mesma hora em qualquer conhecimento básico, porque há mais itens ali para acertar.
Os números que a banca cobra de cor
Boa parte dos itens de conhecimentos específicos se resolve com um número na cabeça. Não é decoreba gratuita: é o formato da prova pedindo precisão.
| Número | O que é | Detalhe que a banca explora |
|---|---|---|
| 65 / 62 | Idade mínima da aposentadoria programada | Homem e mulher, na regra permanente pós-EC 103/2019. Quem se filiou antes tem regra de transição própria. |
| 10 anos | Prazo decadencial para revisar benefício | Não confundir com a prescrição de 5 anos das prestações vencidas (art. 103 da Lei 8.213/1991). |
| 90 dias | Noventena da contribuição social | Contribuição nova só pode ser cobrada 90 dias depois da lei, sem esperar o exercício seguinte. |
| 50% | Cota familiar da pensão por morte | Mais 10% por dependente, chegando a 100% com cinco dependentes ou mais. |
As trocas de palavra que a banca repete
Item Certo/Errado premia quem percebe a palavra fora do lugar. As confusões abaixo aparecem de uma edição para outra, com a frase reescrita:
- Assistencial tratado como previdenciário. O BPC é benefício assistencial — não exige contribuição e não é aposentadoria. Um item que o chama de benefício previdenciário está errado por essa palavra só.
- Filiação confundida com inscrição. Filiação é o vínculo que nasce do exercício de atividade remunerada; inscrição é o ato de se cadastrar. Uma decorre do trabalho, a outra é papel.
- Irredutibilidade nominal apresentada como real. A garantia é do valor nominal do benefício. Item que promete manutenção do valor real está errado.
- CRPS descrito como órgão do INSS. O Conselho de Recursos da Previdência Social é vinculado ao Ministério da Previdência Social, e é justamente por isso que julga recursos contra decisões do INSS.
Técnico e Analista: o que muda de verdade
São carreiras diferentes com a mesma missão — administrar o Regime Geral de Previdência Social. O tronco da prova é comum aos dois; o que separa é a profundidade da cobrança e o bloco de atribuições do cargo.
| Técnico do Seguro Social | Analista do Seguro Social | |
|---|---|---|
| Escolaridade | Ensino médio completo | Ensino superior completo, qualquer área |
| Foco do trabalho | Atendimento ao segurado e reconhecimento de direitos de rotina | Análise técnica de processos complexos, auditoria e gestão |
| Densidade jurídica | Menor — mais rotina operacional | Maior — mais análise e fundamentação |
Para quem ainda não decidiu qual prestar, a notícia é boa: a maior parte do conteúdo serve aos dois. Dá para começar pela base comum agora e escolher o cargo quando o edital sair.
Por onde começar a estudar
A legislação previdenciária muda com o tempo, e o edital de 2026 ainda não existe. Feita a ressalva, três princípios que seguem direto do que está acima:
- Comece pelo bloco específico. É o maior e o mais decisivo. Seguridade Social e Direito Previdenciário primeiro, o resto depois.
- Leia a lei, não só o resumo. A banca cobra a redação do artigo. Guarde os artigos mais cobrados da Lei 8.212/1991, da Lei 8.213/1991, do Decreto 3.048/1999 e da EC 103/2019.
- Treine no formato Certo/Errado. Resolver múltipla escolha o ano inteiro e encontrar item de julgamento no dia da prova é trocar de jogo na hora errada.
As informações deste guia vêm da Constituição Federal, da Lei 8.212/1991, da Lei 8.213/1991, do Decreto 3.048/1999, da EC 103/2019 e do edital do último concurso do INSS. Vagas, banca, disciplinas e pesos podem mudar: confira sempre o edital vigente em gov.br/inss antes de tomar qualquer decisão.
O portfólio de estudo do INSS
Os dois cargos em 15 módulos: a base comum de Seguridade Social e Direito Previdenciário, o Direito aplicado ao serviço público, os conhecimentos gerais e o bloco de atribuições de cada cargo. Com 100 questões inéditas no formato Certo/Errado, comentadas item a item.
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